quinta-feira, 22 de junho de 2017

FALTA DE INFORMAÇÕES É UMA DAS BARREIRAS PARA AUTORIZAÇÃO DE TRANSPLANTES DE CÓRNEAS NO TOCANTINS. ARAGUAÍNA NEWS


Mais de 70% das famílias que perdem seus entes queridos no Estado não autorizam a doação de córneas. A informação é do Banco de Olhos do Tocantins (BOTO), que aponta ainda que o assunto esbarra na falta de informações, barreiras culturais, mitos, medos e, muitas vezes, na insatisfação com a assistência médica. A média nacional de recusa fica em torno de 40%.
Responsável pelo Banco de Olhos, a oftalmologista Núbia Maia lembra ser preciso que as famílias falem mais sobre doação. “Diante da demanda e do alto índice de pessoas que poderiam doar órgãos e tecidos, é preciso haver uma conscientização para mudar as estatísticas. E o caminho para o amadurecimento sobre tema é o diálogo”, orientou.
Com o intuito de levar um pouco mais de informação à população sobre o procedimento da doação, a oftalmologista considera importante que as  pessoas entendam um pouco mais sobre as medidas primordiais que envolvem doação e transplante. Ela explica que o tempo entre a abordagem da família, consentimento familiar e a captação das córneas deve acontecer em, no máximo, 6 horas de coração parado. Uma vez captada a córnea, ela será preparada e armazenada em um líquido apropriado e o transplante deve ocorrer dentro do tempo máximo de 14 dias.  “Para que todos os procedimentos ocorram com segurança, a Central de Transplantes e o Banco de Olhos organizam uma logística que envolve uma equipe multiprofissional composta por médicos de várias especialidades, cirurgiões-dentistas, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e administrativos”, pontuou.
Compatibilidade
A compatibilidade entre doador e receptor também é um fator importante e que ainda gera dúvidas. O Banco de Olhos esclarece que todas as pessoas acima de 2 anos e com menos de 80 anos são doadores em potencial e universais,não havendo assim a necessidade de avaliar a compatibilidade entre doador e receptor. As análises realizadas no Banco de Olhos garantem a qualidade do tecido doado, bem como a segurança ao receptor, já que são colhidas amostras de sangue para exames sorológicos de doenças infectocontagiosas, como o HIV e hepatite B.
“Com a constatação da sorologia negativa e se o tecido apresentar boas condições, a córnea é disponibilizada para Central de Transplante do Estado, que irá distribuir para os pacientes que aguardam em uma lista de espera, independente de idade e sexo, obedecendo uma ordem de inscrição”, esclareceu, lembrando que o material a ser transplantado está disponível para candidatos de qualquer parte do país, porém cada estado considera, primeiramente, as suas demandas.
Diante dessa realidade e dos esclarecimentos apontados, a oftalmologista conclama as pessoas que têm vontade de doar a manifestarem esse desejo em vida, a fim de que a família, após a sua morte, possa autorizar a realização de todos os procedimentos que envolvem a doação.
Estrutura
Habilitado pelo Ministério da Saúde, o Banco de Olhos do Tocantins está apto para fazer captação e transplante de córneas. Desde dezembro de 2016,  já foram realizados 35 transplantes e outros 16 pacientes aguardam pelo procedimento.
De acordo com a técnica responsável pela Central de Transplantes do Tocantins (CETTO), Suziane Crateús, é de responsabilidade da área elaborar diretrizes para o funcionamento, formação, capacitação, habilitação e educação permanente dos profissionais. “Todas essas atividades precisam estar bem alinhadas com as demais centrais do país, a fim de que a nossa meta seja alcançada, a de possibilitar que cada vez mais pessoas possam ser atendidas”.
Atualmente, no Tocantins, existem dois hospitais que são credenciados para a realização dos transplantes de córnea, sendo um público, o Hospital Geral de Palmas; e um privado, o Hospital de Olhos de Palmas.
Cadastro de receptores
Para o cidadão entrar na lista de espera de transplante, é necessário que realize uma consulta com um oftalmologista. No serviço público, o paciente, tendo em mãos um relatório com a indicação médica, deve procurar a Regulação Estadual, que a encaminhará para o Hospital Geral de Palmas. No ambulatório do hospital, um oftalmologista da equipe transplantadora fará a avaliação, e uma vez constatada a indicação de transplante, será realizada a inscrição do paciente na lista de espera.
No serviço privado, o paciente deve procurar o hospital credenciado onde o médico transplantador fará a avaliação e o inscreverá na lista de espera.
Para doação de córneas e/ou outras informações, o interessado pode entrar em contato com o Banco de Olhos, por meio dos telefones (63) 3218-1061  ou (63) 99208-9392.
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