quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

ESPECIALISTA APONTA CAMINHOS PARA ACABAR COM DESIGUALDADE NO BRASIL. ARAGUAÍNA NEWS



Irajá (nesta foto de 26 de junho de 2013) é uma favela no Rio de Janeiro, bonita e perigosa ao mesmo tempo

Um estudo, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), revelou que o Brasil está entre as 5 nações em que a parcela mais rica da população recebe mais de 15% de toda a renda nacional. Além disso, 1% mais rico do país concentra entre 22% e 23% da renda, bem acima da média em todo o mundo.

O estudo considerou 29 países, entre desenvolvidos e em desenvolvimento. Além do Brasil, o Top 5 da desigualdade de renda é formado por África do Sul, Argentina, Colômbia e Estados Unidos. 
Segundo o pesquisador do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Pedro Herculano Guimarães, um dos autores do estudo publicado pela ONU, a situação não é nova. 

"A gente sempre foi muito desigual. Sempre flutuamos mais ou menos em torno desse patamar", explicou o interlocutor da Sputnik.
"Estamos bem longe do padrão dos países que conhecemos. É uma característica da América do Sul", acrescentou o especialista.
Segundo ele, a composição do Top 5 fala por si: conta com três países sul-americanos e um africano.
"A surpresa são os EUA", que segundo Guimarães não lideravam esta lista antigamente, mas que estão se tornando cada vez mais desiguais.
Para o especialista, o resultado do estudo não foi uma surpresa. O Brasil fica no topo da lista, pois é comparado com países desenvolvidos, enquanto muitos países em desenvolvimento não fazem parte da pesquisa. Se fizessem, os resultados brasileiros não seriam tão dispares.
De todo modo, a distribuição de renda é um problema sistêmico no Brasil e não poderá ser resolvido em breve e com uma abordagem única.

"Difícil pensar em uma política única para mudar. Deveria ser feito em diversas frentes, de modo a que não se anulem. Não adianta aumentar a taxação sobre os mais ricos, dando contrapartida em outros setores, por exemplo", adverte o estudioso.
Pedro Herculano Guimarães, no entanto, apontou um dos caminhos que, segundo ele, seria mais efetivo a curto e médio prazo, para resolver a atual situação. 
"A curto prazo, é preciso mudar a composição da carga tributária do país. Aumentar a arrecadação sobre renda e cortar os impostos sobre serviços", explicou. 
"Isso não vai resolver os problemas, mas teria um impacto a curto prazo", concluiu o especialista.

Spuntik

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