terça-feira, 10 de julho de 2018

MALALA ESCOLHE TRÊS BRASILEIRAS PARA REDE PELA EDUCAÇÃO DE MENINAS. ARAGUAÍNA NEWS


Baiana, pernambucana e paulistas foram escolhidas para receber patrocínio da Rede Gulmakai

A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, em visita à capital paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

Símbolo da luta pelos direitos humanos e direitos das mulheres, a paquistanesa Malala Yousafzai anunciou a entrada de três brasileiras na Rede Gulmakai, iniciativa do Fundo Malala que patrocina homens e mulheres que promovem a educação de meninas ao redor do mundo. A rede contempla 22 ativistas de países como Índia, Nigéria, Turquia, mas nunca teve integrantes da América Latina.
Uma das participantes é a pernambucana Sylvia Siqueira Campos, presidente do Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (Mirim). O movimento foi criado em 1990 para “defender e promover os direitos humanos com foco na infância, adolescência e juventude, a fim de combater as desigualdades, estimular a cidadania ativa e radicalizar a democracia”. Sylvia fez parte do programa e agora preside o movimento.
A baina Ana Paula Ferreira de Lima é a mais uma nova participante da Rede Gulmakai. Ana Paula é uma das coordenadoras da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), criada em 1979 para “promover e respeitar a autonomia cultural, política e econômica e o direito à autodeterminação dos povos indígenas”. Ana Paula busca aumentar o número de meninas indígenas que terminam os estudos na Bahia.
A última brasileira foi a paulista Denise Carreira, coordenadora adjunta da Ação Educativa. A organização de 24 anos promove “os direitos educativos e da juventude, tendo em vista a justiça social, a democracia participativa e o desenvolvimento sustentável no Brasil”. Denise desenvolve cursos online para treinar professores em temas relacionados à igualdade de gênero e produz um relatório sobre violência e discriminação de gênero na educação.
O CEO do Fundo Malala, Farah Mohamed, apontou que o Brasil está fazendo progesso na educação, “mas apenas para algumas meninas”. Segundo Mohamed, garantir a educação igualitária para meninos e meninas “requer liderança ousada e ágil. É por isso que temos orgulho de investir nessas três ativistas, cujo trabalho para desafiar os líderes e mudar as normas já está ajudando a criar um futuro melhor para todas as meninas brasileiras”.
A rede que patrocina ativistas na educação foi batizada de Gulmaka em referência ao pseudônimo usado por Malala quando ela ainda tinha 13 anos e escrevia para um blog para a rede britânica BBC sobre os desafios que garotas enfrentam para conseguir estudar em sua terra natal no Paquistão, o Vale do Swat.
Luta por uma educação igualitária
Nascida em 1997 no Paquistão, Malala Yousafzai ficou conhecida pela sua luta por uma educação igualitária, principalmente em sua terra natal, controlada pelo Talebã. Com a proibição de que mulheres frequentem a escola diante ao regime, entre 2003 e 2009. Aos 13 anos, a paquistanesa ficou conhecida por escrever sobre a realidade de sua comunidade para um blog da rede britânica BBC.
Dois anos depois, em 2012, Malala foi vítima de um atentado do Talebã por insistir em ir à escola, mesmo com a proibição. A menina foi baleada no crânio e teve de ser operada. Malala precisou ser levada para a Inglaterra, onde terminou sua recuperação. O atirador foi identificado pelo governo paquistanês e o ataque foi condenado pela comunidade internacional.
Após se recuperar, quase um ano após o ataque, Malala passou a fazer aparições públicas por todo o mundo, defendendo a educação igualitária. “Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução”, disse na Assembleia da Juventude na Organização das Nações Unidas, nos Estados Unidos, em 2013.
Em 2014, Malala se tornou a pessoa mais jovem a ser laureada com um prêmio Nobel. A paquistanesa foi premiada “pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação”
Educação, o melhor investimento
Em visita ao Brasil, Malala defendeu o investimentos longo prazo em educação como o melhor investimento. “O empoderamento das meninas vem da educação, tem a ver com emancipação”, declarou.
A paquistanesa falou ainda sobre o incentivo dos pais na educação e no emponderamento feminino. Malala lembrou de uma colega de escola que precisava esperar os pais saírem de casa para poder sair escondida para a aula. “A diferença é que os meus pais nunca me impediram de falar o que eu pensava”, disse.
Malala falou ainda sobre a vontade de mudar a realidade das 1,5 milhões de meninas que estão fora da escola no país. “Trabalhando junto com os defensores da educação e podendo dar a todas as pessoas, que vem das camadas menos privilegiadas, a esperança de que todos em volta se sintam seguras em receber educação de alta qualidade.”

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