terça-feira, 21 de agosto de 2018

Mais de 400 mulheres sofrem agressões físicas em quatro meses no Tocantins.Araguaína News


Dados são da Secretaria de Segurança Pública do estado. Delegada fala quem são os agressores e como funciona o suporte oferecido à vítima de violência.





Mulher foi agredida com socos, chutes e puxões de cabelo (Foto: Reprodução)















Mulher foi agredida com socos, chutes e puxões de cabelo (Foto: Reprodução)
Em apenas quatro meses, 403 mulheres do Tocantins tiveram o corpo marcado pela violência. Os dados se referem às vítimas que sofreram algum tipo de lesão corporal dolosa - quando há intenção do agressor em praticar o crime. Os números informados pela Secretaria de Segurança Pública do Tocantins estão ligados, na maioria das vezes, à violência doméstica.
A maior parte das vítimas tem entre 35 e 64 anos. De janeiro a abril, 104 mulheres que têm essa idade foram agredidas. Em segundo lugar, são mulheres de 18 a 24 anos. Veja os dados:
Lesão corporal dolosa contra mulher
0 a 11 anos12 a 17 anos18 a 24 anos25 a 29 anos30 a 34 anos35 a 64 anos65 ou maisNão identificadaTotal
561846664104514403
Mas o agressor não tem idade, nem classe social. Um dos últimos casos registrados envolve um empresário de Araguaína. Giorgio Alan Bortolin dos Santos foi flagrado por uma câmera de segurança atacando a mulher com socos e chutes. A vítima é derrubada e ainda puxada pelo cabelo. O agressor chegou a ser preso mas foi liberado menos de 24 horas depois, sem pagar fiança.
"A maior parte dos crimes ocorre no âmbito doméstico. São, na maioria das vezes, maridos, companheiros, namorados e ex-companheiros, pessoas envolvidas amorosamente com as vítimas. São pessoas de todas as classes, não tem um perfil. A diferença são as vítimas. Às vezes, mulheres com menor poder aquisitivo têm dificuldades de sair do relacionamento e se manter economicamente sem o agressor", explicou a delegada Lorena Oyama.
A delegada argumentou também que antes da lei Maria da Penha a vítima até poderia retirar a queixa ou a denúncia. Hoje, não mais. "Esse é um dos avanços da lei. A lesão corporal é crime de Ação Penal Pública Incondicionada. Ainda que a vítima queira retirar a queixa, ela não terá essa autonomia. O crime se processa independente da vontade dela."
Em alguns crimes, como injúria, difamação e ameaça, a vítima pode retirar a queixa, mas apenas perante o juiz.
Após fazer a denúncia, a vítima é encaminhada para a Defensoria Pública, se precisar de assistência jurídica. Também é levada ao IML para ser submetida a exame de corpo de delito, passa por acompanhamento psicológico no Centro de Referência e, caso não possa voltar para casa, é acolhida na Casa Abrigo, em Palmas.
Em muitos casos, o juiz determina uma medida protetiva para que o agressor se mantenha distante da vítima. Nesses casos, a polícia precisa da colaboração da mulher para também fiscalizar e denunciar.
"A mulher pode contribuir comunicando à polícia o descumprimento para que a gente possa tomar as medidas necessárias. O descumprimento da medida é também um crime. A polícia abre um inquérito para apurar. O agressor pode receber tornozeleira para que seja monitorado e até ser preso preventivamente, se estiver colocando a vida dela em risco," disse a delegada.
Agressão foi filmada por uma câmera de segurança

Agredida pelo marido

Na última sexta-feira (17), uma mulher foi agredida pelo marido, o empresário Giorgio Alan Bortolin dos Santos. Segundo a Polícia Civil, o casal é dono de um restaurante que funciona no hotel onde o espancamento ocorreu. 
Após a prisão, segundo a polícia o homem confessou as agressões. O delegado estabeleceu uma fiança de R$ 50 mil, mas o valor foi desconsiderado pela Justiça.
A liberdade de Bortolin teve parecer favorável do Ministério Público e segundo o juiz plantonista Fabiano Ribeiro, o suspeito não representa risco para o cumprimento da lei.
O juiz estabeleceu algumas medidas restritivas para o marido: comparecer aos atos processuais, não mudar de endereço ou sair da comarca por mais de cinco dias sem autorização da justiça, assim como manter distância mínima de 200 metros da mulher.
Também não poderá fazer contato com parentes da mulher ou frequentar os mesmos locais que a vítima, entre outras proibições.
Patrícia Aline dos Santos foi encontrada morta em matagal na zona norte de Palmas (TO) (Foto: Arquivo Pessoal)Patrícia Aline dos Santos foi encontrada morta em matagal na zona norte de Palmas (TO) (Foto: Arquivo Pessoal)
Patrícia Aline dos Santos foi encontrada morta em matagal na zona norte de Palmas (TO) (Foto: Arquivo Pessoal)

Assassinada pelo ex-namorado

Patrícia Aline dos Santos, de 29 anos, foi encontrada morta em um matagal, perto de um shopping em Palmas, no dia 9 deste mês. O principal suspeito é o ex-namorado Iury Italu Mendanha. Para a polícia, o amigo dele, Silas Barreira também teria participado do assassinato. Os dois estão presos na Casa de Prisão Provisória de Palmas.
O laudo sobre a morte da jovem já foi entregue para a polícia e apontou que ela morreu com dois tiros na cabeça e um no abdômen. O inquérito deve ficar pronto até o fim da semana.
Dias antes do crime, Patrícia pediu ajuda para uma amiga pelo WhatsApp, afirmando que o namorado queria matá-la. Patrícia morava em Palmas há cerca de um ano e trabalhava como consultora de beleza.
"Na nossa linha de investigação, o principal suspeito do crime é o atual namorado da Patrícia, o Iury. Várias testemunhas apontam que era um relacionamento conturbado. E que eles tinham terminado e voltado, então ele descobriu que ela tinha ficado com alguém, não gostou e passou a ameaçá-la, inclusive com um revólver. Há vários pedidos dela de socorro, reclamando da agressividade do Iury", disse o delegado Israel Andrade, responsável pelas investigações.

G1 To

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