quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Bombeiros denunciam assédio sexual dentro da corporação; maioria é mulher. Araguaína News

A maioria dos servidores que dizem sofrer assédio sexual dentro do Corpo de Bombeiros é mulher. Foi o que revelou uma pesquisa feita nesse mês pela Associação de Mulheres Policiais do Tocantins, após receber denúncias. As informações foram repassadas durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (31), com profissionais da psicologia, direito e representantes da categoria.
O Corpo de Bombeiros Militar informou que ainda não teve acesso ao resultado da pesquisa e nem como ela foi realizada no âmbito institucional. Disse que aguardará o conhecimento formal e completo da referida pesquisa para posicionar-se a respeito.
De um total de 520 militares, 183 responderam ao questionamento que foi aplicado de forma anônima. Do total que participou da pesquisa, 62,3% dos servidores já sofreram algum tipo de assédio moral, caracterizado por condutas que evidenciam violência psicológica contra o empregado ou servidor.
Ainda segundo os dados, 11,5% disseram que sofrem ou já sofreram algum tipo de assédio sexual. Deste total, a maioria é mulher.
"Em outubro já havia algumas denúncias, alguns bombeiros nos procuraram dizendo que está tendo assédio. Dentro da corporação, a quantidade de mulheres é muito pequena, cada concurso de Bombeiros apenas 10% do efetivo é reservado para as mulheres, então requer uma atenção maior. Porque é um grupo menor e ele precisa de proteção", disse a presidente da Associação de Mulheres Policiais, Giovanna Nazareno.


Pesquisa revelou assédio moral e sexual dentro do Corpo de Bombeiros  — Foto: Jesana de Jesus/G1
Pesquisa revelou assédio moral e sexual dentro do Corpo de Bombeiros — Foto: Jesana de Jesus/G1
Ela informou que ao menos duas mulheres estão sendo amparadas porque revelaram os assédios. Entretanto, não houve qualquer denúncia na Polícia Civil, por medo. Além disso, dois servidores teriam sofrido represália por apoiar a pesquisa e as vítimas.
"Muitas vezes, o assédio é feito por meio de redes sociais, e outros acontecem presenciais. Quando a pessoa passa, solta uma cantadinha, chama na sala em particular e fala: 'Eu preciso que você faz isso para mim, você tem que ficar aqui comigo'. É muito difícil comprovar o assédio porque muitas vezes a pessoa se aproveita daquele momento em que o servidor está sozinho", relatou.
Por causa dos casos, será promovido às 18h30 desta quarta-feira, na sede da OAB em Palmas, o I Seminário sobre a Saúde Mental dos Profissionais das Forças de Segurança do Tocantins. Um dos palestrantes será o psicólogo Joeuder Lima.
"A pessoa que sofre assédio está numa condição de psicoterror. O assediador fragmenta e despersonaliza a vítima. A questão do psicoterror pode chegar a uma depressão severa, levando a pessoa inclusive ao suicídio, fato que ocorreu em junho desse ano. Um colega do Corpo de Bombeiros, por depressão, suicidou-se".
O advogado Robson Tiburcio também falará sobre o tema durante o evento. Para ele, as vítimas devem quebrar o silêncio.
"A administração militar traz hierarquia e disciplina, mas ela tem uma baliza que é a lei. Esse psicoterror que existe nessas corporações precisa ser combatido e a primeira forma de combate é romper a barreira do silêncio. Uma dessas vítimas que vem sofrendo o assédio há bastante tempo, segundo relato que tivemos, tentou romper essa barreira e foi tolhida de todas as formas, através de ameaças diretas, ameaças veladas, inclusive no que se refere ao seu bem maior, o seu sustento".

G1 Tocantins 

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