segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Desmentir notícias falsas não muda crença das pessoas que as recebem, aponta estudo. Araguaína News


Correções, mesmo que vinda de veículos profissionais de imprensa, tiveram pouco impacto entre entrevistados

Depois que é submetido a uma notícia falsa, uma pessoa tem poucas chances de mudar sua crença, mesmo que a informação errada seja corrigida. É o que aponta um estudo feito em parceira entre a a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e as universidades Emory e da Carolina do Norte (EUA).
Desmentir as fake news, mesmo que as correções venham de veículos profissionais de imprensa, se mostrou inócuo. “Durante a eleição, qualquer informação dificilmente é desconstruída. Por isso as campanhas estão interessadas em gastar milhões distribuindo fake news”, diz Felipe Nunes, um dos pesquisadores da UFMG.
O estudo mostrou a eleitores mineiros quatro fake news positivas e quatro negativas sobre o PT. Na primeira parte da pesquisa, em maio, um terço dos entrevistados foi submetido apenas a fake news; um terço teve acesso à correção feita pelo partido ou alvo; e outro terço, à checagem de um veículo de comunicação.
No primeiro grupo, 44,9% das pessoas acreditaram nas notícias falsas positivas e 35,2%, nas negativas. Quase não houve diferença para o segundo grupo, que teve as notícias desmentidas: 44,7% e 35,7% acreditaram, respectivamente. Quando a checagem é profissional, há impacto entre as notícias falsas positivas. A parcela que acredita cai para 37,1%. Porém, entre as negativas, o índice muda pouco: 33,1%
De acordo com o pesquisador, quando uma notícia está falando mal de algo, a pessoa acredita mesmo que essa informação seja depois desmentida. Já quando uma notícia falsa positiva é corrigida por um veículo profissional de imprensa, a pessoa costuma confiar porque não acredita que uma notícia boa pode estar relacionada à política.
A segunda parte do experimento, em outubro, ocorreu apenas com dois grupos: o que não teve as notícias desmentidas e o que teve a correção. O resultado aponta que a crença na informação falsa se mantém intacta. Acreditaram nas notícias falsas positivas 35,4% no primeiro grupo e 36,3% no segundo. Para as negativas, o resultado foi 32,3% e 34,2%.
“As pessoas têm tanta certeza e convicção que dizer a elas que é mentira não faz a menor diferença”, aponta o pesquisador Felipe Nunes.
O resultado da pesquisa aponta que o esforço pelo combate às fake news é inútil entre os convertidos. “Vamos ter que caminhar para um pacto para não usarem o mecanismo. Ou as campanhas começam a combater esse mal ou dificilmente teremos eleições não determinadas por notícias falsas”, afirmou o pesquisador.
O que mostrou o experimento:
MAIO
44,9% acreditaram em notícias falsas positivas sobre o PT em maio;
35,2% acreditaram em notícias falsas negativas.
Quando expostos a uma checagem profissional que desmente as notícias:
37,1% acreditaram nas positivas;
33,1% acreditaram nas negativas.
OUTUBRO
5,4% acreditaram em notícias falsas positivas em outubro;
32,3% acreditaram em notícias falsas negativas.
Quando expostos a uma checagem profissional que desmente as notícias:
36,3% acreditaram nas positivas;
34,2% acreditaram nas negativas.

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