quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Em áudio, PM confessa que colega matou duas pessoas antes de ser morto pela Polícia Civil. Araguaína News


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Infelizmente, não foi possível encontrar um vídeo compatível com o seu dispositivo.
Policial militar confessa ter participado de homicídio em Gurupi, no Tocantins
Policial militar confessa ter participado de homicídio em Gurupi, no Tocantins
Durante depoimento para a Polícia Civil, o sargento Edson Vieira confessou que participou de um dos homicídios registrados durante a noite de segunda-feira (22) em Gurupi, no sul do estado. O militar foi detido durante uma abordagem de agentes da Civil. Ele afirma que quem atirou e matou duas pessoas naquela noite foi o outro sargento que estava com ele, Gustavo Teles.
Teles morreu durante a mesma abordagem em que Vieira foi preso. Os dois também são suspeitos de envolvimento e uma tentativa de assassinato. No áudio, o sargento afirma que estava pilotando a moto apenas no momento em que uma das vítimas foi morta. 
A confissão foi gravada pela Polícia Civil:
Delegado: Como que aconteceu lá?Sargento Vieira: Ele emparedou com o cara e atirou no cara e matou o cara.
Delegado: Você tava junto? [sic]Sargento Vieira: eu tava [sic]
Delegado: Você tava junto? Nesse segundo vc tava junto? [sic]Sargento Vieira: Eu tava pilotando. A mulher primeiro eu não tava. [sic]
Delegado: Você não tava?Sargento Vieira: Não tava. [sic]
Os exames de balística confirmaram que os tiros que mataram as duas vítimas, Neuralice Pereira de Matos e Nataniel Gloria de Medeiros, partiram de uma das armas apreendidas com os militares. O revólver também foi ligado a tentativa de homicídio.
Uma câmera de segurança registrou o momento em que Nataniel Gloria foi morto por homens em uma motocicleta.
O advogado do sargento Edson Vieira nega as acusações. "Primeiro que isso não é fato, esse revólver não foi encontrado com os militares. Foi encontrado no local. Depois, ele se colocou a disposição para fazer o exame residuográfico. Isso prova a idoneidade e assertiva de que não participou do fato. Ele nega a autoria, nega que tenha participado de qualquer fato dessa natureza e desconhece a participação do sargento Gustavo também", disse o advogado Paulo Roberto.
Momento em que sargento da PM teria sido baleado — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Momento em que sargento da PM teria sido baleado — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Morte de sargento

Após a primeira morte, a Polícia Civil identificou dois suspeitos em uma motocicleta e começou a perseguir o veículo. Um vídeo gravado por uma câmera de segurança mostra o momento exato da abordagem da Polícia Civil que terminou com a morte do sargento Gustavo Teles. (Vídeo abaixo)
A motocicleta surge no vídeo e passa por cima de um morro de terra perto do meio-fio. Os militares se desequilibram e rolam no asfalto. Logo depois, o ocupante que estava na garupa da moto se levanta, leva a mão a cintura, dá alguns passos e novamente cai. Este seria o sargento Gustavo Teles, que foi baleado e morreu no local.
As imagens mostram também que Teles estava de costa quando supostamente foi baleado. O tiro teria partido da viatura ainda em movimento. A Polícia Civil não informou de que arma partiu a bala que matou o PM.

Ao mesmo tempo, o outro ocupante da moto se levanta, pega alguma coisa no chão e logo depois levanta as mãos para o alto. Ele coloca um objeto no chão e novamente levanta os braços. Este seria o sargento Edson Vieira, que sobreviveu a abordagem e está internado em um hospital após ter um ferimento no pé durante a queda.
As imagens confirmam parte da versão contatada por Vieira em depoimento. Ele afirmou que estava pilotando a motocicleta e não reagiu à abordagem dos Policiais Civis.
Por outro lado, contraria parte do que foi informado pela Polícia Civil. "Em determinado momento, o condutor da motocicleta perdeu o controle, ambos caíram e quando se levantaram, já levantaram com armas em punho. Nesse momento houve reação da equipe de policiais civis, foi efetuado um disparo e um dos ocupantes da motocicleta foi atingido. Quando esse primeiro ocupante foi atingido, o segundo se entregou e colocou a arma no chão", afirmou o delegado Hélio Gomes, no dia seguinte à ocorrência.
G1 questionou a Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública sobre as imagens e aguarda resposta. O Governo informou que ainda não teve acesso ao vídeo, mas está reunido para se pronunciar sobre o caso.

O caso

Os dois sargentos da Polícia Militar estavam sendo perseguidos porque supostamente teriam envolvimento em homicídios dois homicídios e uma tentativa. Os crimes aconteceram na mesma noite, em Gurupi. O sindicato dos policiais civis chegou a afirmar que a ação dos militares se assemelha a de grupos de extermínio.
O delegado Hélio Gomes afirmou que os policiais civis tinham acabado de fazer atendimento no local do primeiro assassinato e seguiam para outra ocorrência quando se depararam com os PMs na motocicleta.
Durante a abordagem, a Polícia Civil apreendeu três armas com os sargentos da PM. Uma das armas foi ligada aos dois assassinatos por um laudo da perícia. O sargento teve a prisão preventiva decretada por suspeita de envolvimento em dois homicídios na mesma noite.

Polêmica

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Em velório de PM, policial diz que guerra vai continuar e delegados se sentem ameaçados
Em velório de PM, policial diz que guerra vai continuar e delegados se sentem ameaçados
Após a abordagem o delegado que fez o primeiro atendimento do caso resolveu deixar o estado após supostamente receber ameaças. Um vídeo gravado durante o velório do sargento Gustavo Teles mostra outro policial da mesma companhia afirmando que "os combatentes vão continuar a guerra que o sargento começou". 
"A informação que a gente teve foi de que a saída dele [do delegado] de Gurupi e do Tocantins foi em razão de ameaças que foram feitas por policiais militares e principalmente por um vídeo que está circulando nas redes sociais, em que um membro da Companhia Independente de Operações Especiais disse que a morte do colega vai ter volta e que estamos tentando denegrir a honra dele", explicou o delegado Bruno Boaventura em entrevista ao G1.
No vídeo citado por Boaventura, um membro da Companhia Independente de Operações Especiais, da qual o sargento Gustavo Teles participava, diz que os "amigos e combatentes estarão sempre continuando a guerra que ele começou, pois a voga não vai parar. Os entendedores entenderão. O nosso irmão não morreu em vão e vai ser honrado".
O governo do estado informou que não vai se posicionar sobre o vídeo. A Polícia Militar informou que tem prestado todo o apoio necessário, no sentido de colaborar com as investigações. Disse ainda que já está em curso um Procedimento Administrativo a fim de se apurar as circunstâncias que envolveram os militares.
A Secretaria de Segurança Pública ainda não semanifestou sobre o vídeo.


Gustavo Teles e Edson Vieira estavam em motocicleta — Foto: Arquivo pessoal
Gustavo Teles e Edson Vieira estavam em motocicleta — Foto: Arquivo pessoal

Entenda

Na mesma noite da morte do policial Gustavo Teles, foram registrados outros dois homicídios na cidade. Um deles ocorreu na avenida Brasília com a rua 7. A vítima é Neuralice Pereira de Matos. O outro foi na avenida Alagoas, no centro da cidade, onde Nataniel Gloria de Medeiros, de 28 anos, também foi baleado e não resistiu.
Os crimes teriam sido praticados de forma semelhante: dois homens em uma motocicleta atiraram contra as vítimas. O vídeo de uma câmera de segurança na avenida Alagoas, no centro de Gurupi, mostra o momento em que Nataniel Gloria de Medeiros, de 28 anos, é baleado.
Outros dois jovens foram baleados de forma semelhante. Eles estavam em uma calçada junto com outras pessoas, quando atiradores passaram de moto e dispararam. Os feridos foram levados para o Hospital Regional de Gurupi.

Nota na íntegra

O Governo do Estado, por meio das Polícias Civil e Militar do Tocantins, informa que é interesse institucional que sejam apuradas as posturas dos policiais militares, 2º Sgt PM Edson Vieira Fernandes e 3º Sgt PM Gustavo Teles, bem como a forma de condução por parte da Polícia Civil naquela ocorrência da noite do dia 22, em Gurupi.
Além da investigação, que corre em segredo de justiça, cabe ressaltar que, na apuração do caso que envolve os dois militares, a PM tem prestado todo o apoio necessário à Polícia Civil no sentido de colaborar com as investigações.
Também já está em curso um Procedimento Administrativo na PM a fim de se apurar as circunstâncias que envolveram os militares.
Por fim, destaca que as polícias Militar e Civil continuam conduzindo os trabalhos de polícia ostensiva e investigativa, em todo o Estado do Tocantins, inclusive em ações conjuntas, contra o crime e a busca pela paz social.



G1 Tocantins 



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