quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Temer recebeu R$ 5,9 milhões em propinas do setor portuário, diz PF. Araguaína News


Segundo inquérito, presidente participa de esquema de propina no Porto de Santos desde 1998

Relatório da polícia diz que coronel amigo do presidente criou engenharia de lavagem de dinheiro
O relatório final da Polícia Federal sobre o Inquérito dos Portos vê indícios de que o presidente Michel Temer recebeu diretamente R$ 5,9 milhões de propina no setor portuário há mais de 20 anos, desde a época em que era deputado federal por São Paulo.
De acordo com o documento, que tem mais de 800 páginas, assinado pelo delegado Cleyber Malta Lopes, os valores teriam sido pagos pela Rodrimar, pelo grupo J&F e pelo grupo Libra, em doações oficiais e em dinheiro vivo.
A PF afirma que “o setor portuário sempre foi área de influência e interesse do MDB e do presidente” e por isso as indicações até hoje são feitas pelo partido.
O relatório da polícia aponta que o coronel João Baptista Lima Filho é o intermediador do emedebista há pelo menos 20 anos.
A PF indiciou o presidente e outras dez pessoas, entre as quais a filha dele, Maristela Temer, o coronel João Baptista Lima Filho e sua mulher, Maria Rita Fratezi, amigos do presidente, e Carlos Alberto Costa e seu filho, diretor da Argeplan. A Polícia Federal pediu o bloqueio de bens de todos os suspeitos e a prisão de quatro deles. Eles estão impedidos de deixar o país.
“Lima e Costa criaram uma dezena de outras empresas, já identificadas, utilizando-se da estrutura oficial da Argeplan, visando transferência de recursos ou patrimônio, de forma oculta ou dissimulada e em benefício próprio e de terceiros. Numa engenharia que tem servido para lavagem de dinheiro, posta principalmente a disposição do Senhor Michel Temer, ao longo dos últimos 20 anos”.
Aberto em 2017, o inquérito buscava esclarecer se Temer recebeu, por meio do militar aposentado, propina em troca da edição de um decreto que teria beneficiado companhias que atuam no porto de Santos.
A medida assinada por Temer permitiu ampliar de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessões e arrendamentos no porto firmados após 1993.
Outro ponto do relatório da PF é uma reforma realizada na casa da filha do emedebista, entre 2013 e 2015. A mulher do coronel, Maria Rita Fratezi, pagou em dinheiro vivo despesas da obra do imóvel de Maristela Temer.

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