quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Ministério Público vai investigar contratação da empresa do pai de Olyntho Neto para coletar lixo hospitalar. Araguaína News

Uma investigação foi aberta pelo Ministério Público para apurar a contratação da empresa Sancil Sanantonio, sem licitação, em agosto deste ano. A empresa foi contratada para atender 13 hospitais e seria responsável por despejar quase 200 toneladas de lixo hospitalar em um galpão do distrito agroindustrial de Araguaína, norte do Tocantins. A empresa é ligada a família do deputado Olyntho Neto (PSDB), ex-líder do governo na Assembleia Legislativa. O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Tribunal de Contas Estadual.
Segundo a portaria assinada pelo promotor Adriano Neves, o inquérito civil público vai investigar a relação da empresa com o ex-juiz eleitoral e advogado João Olinto, pai do deputado Olyntho Neto. "Considerando que tal quadro retratação poderá, em tese, configurar ato de improbidade administrativa", diz trecho do documento.
A Secretaria Estadual de Saúde disse que contratou a empresa em caráter emergencial, sem licitação. Seriam pagos R$ 557 mil por mês, mais de R$ 6 milhões por ano, pelo serviço. Porém, durante entrevista, o secretário Renato Jayme reconheceu que a empresa não tinha capacidade técnica para o trabalho.
Além disso, um relatório feito pelos hospitais demonstrou diversas falhas no serviço prestado pela empresa. O lixo que estava depositado no galpão irregular terminou de ser retirado nesta terça-feira (20).
O galpão onde os resíduos foram deixados foi ligado a empresas do deputado Olyntho Neto. Além disso, a Sancil Sanantonio seria do pai dele, o ex-juiz eleitoral e advogado João Olinto, segundo a Polícia Civil. O deputado negou envolvimento no caso.
João Olinto e duas sócias da empresa tiveram a prisão decretada e são considerados foragidos.
Após toda a polêmica, o governo do estado suspendeu e depois cancelou o contrato com a Sancil. Além disso, o Tribunal de Contas do Estado determinou que nenhum pagamento seja feito para a firma do ex-juiz eleitoral e advogado.

Repercussão na segurança

Uma semana depois do galpão ser descoberto, 12 delegados regionais do Tocantins foram exonerados dos cargos de chefia. Um dos afetados foi o delegado regional de Araguaína, Bruno Boaventura. Ele estava coordenando as investigações sobre o lixo hospitalar. O delegado disse estar sofrendo retaliação por parte do governo.
Nesta segunda-feira (19), dois inquéritos foram abertos pelo Ministério Público para apurar a exoneração dos delegados regionais da Polícia Civil. Uma das investigações foi aberta pela promotoria de justiça em Palmas e a outra em Gurupi.
Depois disso, toda a cúpula da Secretaria de Segurança Pública resolveu entregar os cargos. Após sete saídas, o governo determinou que o responsável pela Secretaria de Cidadania e Justiça, Heber Luis Fidelis Fernandes, vai responder interinamente pela SSP.

Investigação

O ex-juiz eleitoral teve a prisão decretada e é considerado foragido. Segundo a Polícia Civil, ele seria dono da empresa Sancil Sanantonio Construtora e Incorporadora LTDA, contratada pelo governo sem licitação para recolher o lixo de 13 hospitais do estado. Duas mulheres que aparecem como sócia da firma também tiveram a prisão decretada.
"Ele tinha a função de coordenar os trabalhos da Sancil por interpostas pessoas. Ele não constava na relação de sócios da empresa, mas ele utilizou de duas funcionárias do escritório de advocacia para o fim de constituir essa empresa", relatou o delegado Bruno Boaventura.
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o ex-juiz eleitoral impedindo a entrada de fiscais da Prefeitura de Araguaína no galpão no distrito agroindustrial da cidade.
Conforme a Polícia Civil, o lixo encontrado no galpão saiu do Hospital Regional de Araguaína e de outros hospitais estaduais. Após o escândalo, o secretário de Saúde do Tocantins, Renato Jayme, reconheceu que a empresa não tinha capacidade técnica para o trabalho.
O Estado suspendeu o contrato com a Sancil e chamou outra empresa para recolher o lixo dos hospitais em caráter emergencial. Apesar dos danos ambientais e da contratação de uma empresa, pela Prefeitura de Araguaína, para retirar o lixo do galpão irregular, segundo o secretário não houve prejuízos pros cofres públicos.

G1 Tocantins 

Sobre o Autor

Araguaina News

Autor & Editor

Araguaína News é uma página destinada a compartilhar informações com toda a comunidade de Araguaína e Região.

 
ARAGUAÍNA NEWS © 2015 - Editado por: Romilson Gomes | > Templateism.com