segunda-feira, 29 de abril de 2019

Pesquisa avalia os efeitos da zika no desenvolvimento infantil. Araguaína News


Muitas das questões sobre os impactos da zika permanecem sem resposta
Ainda não há diagnóstico preciso, principalmente nas pessoas assintomáticas; não se sabe o motivo do seu surgimento ou desaparecimento, e não se sabe as repercussões em longo prazo nas crianças que foram expostas e nasceram sem microcefalia. Foto: Pixabay
O número de grávidas a darem entrada no ambulatório de Doenças Febris Agudas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, Zona Norte carioca, não parava de subir a cada semana. E gestante com doença febril é sempre um sinal de alerta. Na região Nordeste, principalmente em Pernambuco, começava a se falar em zika. A demanda por explicações era enorme, mas a capacidade de fornecer respostas era pequena. “Nunca imaginei que no final da minha carreira eu veria um negócio desses. É impactante. O número de nascimentos despencou em 2017. As mulheres pararam de engravidar. Foi uma calamidade”, conta a neonatologista e coordenadora da Unidade de Pesquisa Clinica do Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Maria Elisabeth Moreira. A pesquisadora, que tem apoio da FAPERJ para suas pesquisas tendo sido contemplada no programa “Cientista do Nosso Estado”, é responsável pelas pesquisas relacionadas ao desenvolvimento infantil em uma das pesquisas aprovadas no edital Programa Pesquisa em Zika, Chikungunya e Dengue no Estado do Rio de Janeiro – nº 18/2015, da FAPERJ.
Nos primeiros meses de epidemia, os pesquisadores trabalharam em diversas frentes de forma intensa: revisão bibliográfica de situações semelhantes ao redor mundo – nesse caso específico das experiências da epidemia ocorrida na Polinésia Francesa em 2014 –, realização de baterias de exames diversos nas grávidas com quadro febril e na ampliação do laboratório para dar conta da realização dos novos procedimentos e de espaço físico atender as crianças e para armazenar uma grande quantidade de processos. Hoje, o corredor da Unidade de Pesquisa Clínica do IFF está tomado por arquivos onde estão guardadas as fichas clínicas de cada gestante participante da pesquisa por pelo menos cinco anos.
Em um primeiro momento, eram feitos ultrassons de todas as gestantes quinzenalmente e de todos os bebês que nasciam com suspeita de terem sido expostos ao zika vírus (ultrassom cerebral, abdominal e ecocardiograma). As ultrassonografias eram feitas rotineiramente: “Eram mães apavoradas”, relembra Elisabeth, sobre os momentos de ansiedade das gestantes. Mais tarde essa bateria de exames tão frequentes se mostrou desnecessária, uma vez que os estudos realizados concluíram que a condição cardíaca ou abdominal não são tão afetadas pela doença e esses exames passaram a ser feitos apenas com indicações clínicas. A ultrassonografia na grávida com quadro de febre e lesões na pele passou a ser feita só a partir das quatro semanas após a ocorrência do estado febril agudo (febres acima de 37,5o C). “Tudo isso foi bem desafiador. Uma coisa é uma pesquisa que você planeja início, meio e fim. A outra você não planeja. A epidemia chega e você tem que entrar para trabalhar e produzir respostas para a ciência e a sociedade”, diz.
Três anos após o surgimento da epidemia, muitas das questões sobre os impactos da zika permanecem sem resposta. Ainda não há diagnóstico preciso, principalmente nas pessoas assintomáticas; não se sabe o motivo do seu surgimento ou desaparecimento, e não se sabe as repercussões em longo prazo nas crianças que foram expostas e nasceram sem microcefalia. Embora não se saiba quantas crianças têm paralisia cerebral no Brasil, a epidemia trouxe um olhar para essa faixa etária e os estudos na área de desenvolvimento cerebral dos bebês e crianças avançaram.

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